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Brasil anuncia revolução no controle da inflação: mudanças visam redução da taxa Selic

Mudança na forma de controle das metas de inflação no Brasil

Taxa Selic pode diminuir com a nova abordagem
Taxa Selic pode diminuir com a nova abordagem

O governo federal brasileiro anunciou um conjunto de mudanças planejadas na forma como gerencia suas metas de inflação. A partir de 2025, as metas de inflação não serão mais vinculadas ao ano-calendário, mas passarão a ser contínuas.

Este anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na quinta-feira (29), que apoiou a mudança citando práticas internacionais e a potencial eliminação de fortes aumentos da taxa básica de juros, ou Selic, como forma de controle de aumento de preços no curto prazo.

O que representa essa mudança nas metas de inflação?

A mudança significa que a inflação deverá estar no patamar estabelecido em qualquer mês do ano, e não apenas ao final. Ou seja, ao invés de ter metas específicas para as taxas de inflação em dezembro de cada ano, esse novo formato permitirá uma visão mais ampla e constante do controle de inflação. Essa nova perspectiva visa contribuir para uma maior estabilidade financeira e menor dependência de fatores externos impactantes, como a pandemia, por exemplo.

Como esta mudança impactará a taxa Selic?

A taxa Selic poderá sofrer cortes mais robustos graças a essa nova regra, como explicou Haddad. Hoje a taxa está em 13,75% ao ano, sendo a maior taxa de juros real do mundo. Contudo, com a mudança da forma de controle da meta de inflação, o governo espera que a partir de agosto de 2023 a taxa sofra cortes significativos.

E a meta para 2026?

Dentre as mudanças anunciadas, o governo definiu também a meta de inflação para 2026: 3% ao ano. Vale lembrar que o controle da meta de inflação é de responsabilidade do Banco Central (BC), e, como parte do planejamento financeiro do país, o BC costuma usar principalmente a taxa básica de juros, prevendo aumentos quando a inflação está acima da meta. Com a nova regra, caso a inflação suba repentinamente, o BC não precisaria aumentar tanto os juros, já que terá como horizonte a inflação contínua no longo prazo.